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João Agripino e sua relação com a ditadura militar



Em análise aprofundada do governo de João Agripino na Paraíba (1966-1971), a liderança política mais importante do estado no pós-64, que se seguiu ao de Gondim, e seu desenrolar frente ao quadro sócio-político-econômico nacional, Cittadino aponta como o mesmo, enquanto governador, procurou alianças com os militares para administrar o Estado. A perspectiva do novo governador, de modificar a cultura política local e de promover o desenvolvimento econômico, passava, fundamentalmente, por dois aspectos interligados: a introdução do planejamento como estratégia de ação e a montagem do governo em bases técnicas e não políticas. Sem dúvida, João Agripino demonstrava estar em perfeita sintonia com as diretrizes do Estado Autoritário que valorizavam e viam como fundamental a necessidade do planejamento governamental no que se refere à política econômica (2006, p. 156-157).

A proposta de modernização do Estado de João Agripino tivera bases firmadas ainda no governo de Gondim, mas havia uma diferença essencial entre os dois: Agripino esteve mais próximo dos princípios do governo federal, o que fez com que pudesse contar com maiores subsídios para colocar em prática a política desenvolvimentista no estado. Ao longo dos governos militares, a tônica desenvolvimentista considerada como umas das bases fundamentais para a segurança nacional, seria mantida. Diante das novas atribuições vinculadas à política desenvolvimentista, fazia-se necessário o reaparelhamento do Estado, dotando-o de organismos capazes de atender a essas novas exigências. João Agripino, comungando dos mesmos princípios do governo federal, seria responsável, na Paraíba, por aprofundar e sistematizar o processo de modernização iniciado por Gondim... (CITTADINO, 1999, p.120).

No bojo desse processo, Agripino criou a Secretaria do Planejamento, através da qual o estado passou a ter uma participação mais ativa em vários setores da economia e da sociedade. Outros órgãos também foram erguidos na sua administração como, por exemplo, a Secretaria de Administração, a Companhia de Industrialização da Paraíba (CINEP), a Escola de Serviço Público do Estado da Paraíba (ESPEP), todos com o objetivo de melhorarem o aparelho estatal. Outra atuação dos governos militares, e de seus congêneres locais, foi tentar dinamizar a economia, que teve preferência no critério do planejamento estatal.

Apesar de algumas dificuldades, Agripino teve boa relação com os ditadores Castello Branco (1964-1967), Costa e Silva (1967-1969) e Médici (1969-1974), cujas administrações atravessaram a sua. Observou-se, nesta gestão, um surto de crescimento econômico, através do incentivo ao setor industrial e, ao mesmo tempo, aos investimentos em infra-estrutura, sem os quais este modelo econômico não se sustentaria. Assim, foram implantadas políticas voltadas para a eletrificação das cidades, além da elaboração e execução de um plano de investimentos na ampliação e modernização da rede rodoviária do estado, de significativos investimentos no setor do turismo, especialmente em hotelaria, no financiamento da produção agrícola, através da construção de silos de armazenagem, dos investimentos industriais, das construções de conjuntos habitacionais nas maiores cidades do estado, dentre outras medidas.

2 comentários:

  1. Gosto quando escreve sobre a Paraíba! Conheço pouco a história daqui!

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  2. Visão inovadora com linguagem de fácil entendimento. Artigo maravilhoso como sempre

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