Fatos históricos, políticos, econômicos e sociais. A História, relida e recontada.

PEREIRA DA COSTA x MAXIMIANO MACHADO: embates sobre a ocupação holandesa


 

Francisco Augusto Pereira da Costa nasceu no dia 16 de dezembro de 1851, na antiga rua Bela, no Recife, filho de Mariano Pereira da Costa e Maria Augusta Pereira da Costa. Aos 20 anos, trabalhou como amanuense na repartição de Obras Públicas, depois na Conservação dos Portos, na Secretaria do Governo e na Câmara de Deputados de Pernambuco e, em 1884, foi Secretário do Governo do Piauí. Iniciou sua carreira, como jornalista, aos 21 anos, colaborando para com o jornal Diário de Pernambuco, do Recife, em 1872. Em 1891, já com a família constituída, bacharelou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife. Exerceu os cargos de Membro do Conselho Municipal do Recife e deputado estadual por Pernambuco, tendo sido eleito em 1901, pelo Partido Liberal. Foi também membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano onde recebeu o título de Sócio Benemérito. Segundo ele, o Instituto Arqueológico foi a sua escola, a sua tenda de trabalho onde encontrou grandes mestres. Foi, fundador da Academia Pernambucana de Letras e membro de várias instituições brasileiras, como os Institutos Histórico e Geográfico de Alagoas, Ceará, Paraíba, Bahia e São Paulo, entre outras. Deixou uma grande quantidade de obras, sendo a mais importante delas, os Anais pernambucanos, pesquisa em 10 volumes, ordenados, cronologicamente, onde podem ser encontrados vários assuntos da história e da vida pernambucana de 1593 a 1850. São dele também, entre outras, A Confederação do Equador (1876); Dicionário biográfico de pernambucanos célebres (1882); Enciclopédia brasileira (1889); Folclore pernambucano (1909); Vocabulário pernambucano (1936) e Arredores do Recife, reeditada pela Editora  Massangana, em 2001.

Este autor é um dos que mais influencia Maximiano Lopes Machado e foi contemporâneo do mesmo. Conforme Mello (1997, p.390-392), eles divergiram bastante, principalmente pelo fato de Pereira da Costa afirmar que a dominação holandesa foi mais proveitosa para Pernambuco do que a portuguesa, o que foi tenazmente combatido por Machado. Pereira da Costa afirmava, por exemplo, que nem mesmo os mais cruéis dos holandeses, se comparam com a crueldade dos portugueses. Assim, diferente de Maximiano Machado foi um profundo defensor da visão nativista do Brasil holandês, o que acarretou debates acalorados nos arredores do IAGP. Foi um escritor que sempre reafirmou a verdade histórica: “o que seria da verdade histórica se, por exemplo, a história das lutas entre duas nações modernas fosse exclusivamente escrita pelos historiadores de uma das rivais?” (MELLO, 1997, p.384). Ou seja, a história é uma disciplina que deve ser imparcial, pois os fatos são plausíveis de mudanças, e de parcialidades. Em tese, os dois discordavam bastante quando o quesito é o período da ocupação flamenga, até como já foi dito anteriormente. Machado tece críticas aos holandeses, em contraponto a Pereira da Costa, afirmando que eles “haviam praticado em larga escala o tráfico de escravos; e ao discordar da existência, no Brasil holandês, de uma liberdade religiosa autentica” (MELLO, 1997, p.391). As divergências entre ambos resultaram em inúmeros artigos que estão publicados nas revistas do IAGP, bem como nos Anais Pernambucanos de Pereira da Costa, de onde Machado buscou inspirações para ir de encontro às suas idéias. Pelo menos em um capítulo eles concordam: que a passagem de Nassau trouxe significativas mudanças para o Brasil, no caso Recife, no que se refere à urbanização (MELLO, 1997, p. 387-395).

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