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A História da História: tradição das lembranças e estudos comparativos



Continuando os debates sobre o campo em expansão da historiografia, aventurarei neste enaltecer a mesma como tradições de lembranças. Nada como o conhecimento histórico para proporcionar tamanhas discussões e debates acalorados.

A história da história, tida como uma perspectiva da “tradição das lembranças” é para Mastrogregori (2006) a tentativa de estudar os textos de história como elementos de um desenvolvimento histórico mais geral, amplo e variado, em que as atividades de diferente natureza também desempenhassem um papel: a isso eu chamaria, justamente, de tradição das lembranças (In: MALERBA, 2006, p.68).

Elas, por sua vez, demonstram uma multiplicidade de critérios e enfoques. Esta discussão, presente no artigo “Historiografia e tradição das lembranças” (IN: MALERBA, 2006, p. 65) é bastante importante, porque diante desse imbróglio de significações, estas tradições das lembranças podem também ser remetidas às questões do poder, o que os Institutos Históricos fizeram quando mapearam suas histórias regionais, e como fez o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, a partir de 1838, que tinha como objetivo fundar uma história nacional; bem como preservar a memória, ou seja, preservar a história para evitar a sua “destruição” e garantir a sua “conservação”. Esta era uma idéia típica do século XIX e que, no século XX, também foi muito forte. Aliás, ainda hoje, este discurso é hegemônico, pelo menos no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.

Os estudos comparativos também são bastante discutidos pela historiografia, até porque houve uma evolução internacional e intercultural nos vários campos da vida cultural. É verossímil que estudos comparativos precisem ser organizados, estruturados sendo “necessário saber que campo de coisas deve ser levado em consideração e de que maneira as descobertas nesse campo devem ser comparadas” (RUSEN in MALERBA, 2006, p.116.). Em História, fazer estudos comparados se tornou uma atividade constante para muitos historiadores. Assim nos diz Ângela de Castro Gomes “os estudos comparados desenvolvidos na área de História têm mostrado uma grande capacidade de, mesmo produzindo generalizações, na medida em que a comparação sempre implica aproximações dessa natureza, terem ressaltado muito mais as especificidades de cada exemplo histórico (2000, p. 23)”.

Ao fim e ao cabo, é profundo traçar caminhos historiográficos, mas a certeza é maior quando montamos e levamos informação boa para os apreciadores e amantes da História.

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