Fatos históricos, políticos, econômicos e sociais. A História, relida e recontada.

O Século XIX, século da história


Rua Duque de Caxias final - João Pessoa - Séc. XIX

O século XIX foi um diferencial para a investigação em História, ou seja, para os historiadores, pois foi neste período “que a historiografia começou a se constituir como uma disciplina autônoma” (AROSTEGUI, 2006, p.93).

Durante aquele século, o da cientificidade, diversos teóricos procuraram afirmar que a ciência era capaz de responder a todas as questões formuladas pela sociedade. Tinha, como exemplo mais sofisticado de ciência, o modelo da Física. Esse modelo acabou se impondo às disciplinas do XIX, indicando que as mesmas deveriam se tornar iguais as ciências da natureza. Para os positivistas, a história poderia ser uma ciência se utilizasse o método de estudo das ciências naturais: a Física, a Química e a Biologia, mas logo perceberam que isso não seria possível. O máximo a que esta tentativa levou os historiadores do XIX foi à elaboração de um método histórico que tivesse origem na erudição, que se baseasse na filologia e se caracterizasse pela crítica documental, crítica esta que poderia ser interna e externa. Todas estas questões estavam voltadas para tentar explicar/ defender o estatuto científico da história. Esta tentativa de explicação para a História foi também definitiva para a construção das histórias nacionais tanto na Europa, quanto no Brasil.

Este também foi o século das alianças. Ainda no século XVIII surgem as filosofias da história, que tentaram entender o processo histórico, buscando um sentido geral para a história humana. Tais idéias “no século XIX, sob o impacto da Revolução Francesa e de outras revoluções na Europa, florescem”. (HADDDOCK, 1989, p. 44). Durante o século da cientificidade, tais filosofias foram amplamente questionadas pela força do historicismo, que buscava as particularidades dos povos e não os sentidos gerais propostos por elas. No final do século XIX, a história rompeu com a Filosofia, pois os estudiosos não estavam satisfeitos com os resultados, por considerarem que ela havia transformado o conhecimento histórico numa abstração.

É interessante destacar a importância do XIX, porque nele que estão inseridos diversos autores que escreveram sobre História do Brasil e da Paraíba, por exemplo. É por meio de suas posições teóricas/metodológicas, que tentamos entender as vicissitudes pelas quais passou a evolução da cientificidade da história e, como isso chegou até nós, leitores apaixonados pelo saber e fazer história.

É importante ressaltar que o tipo de saber proporcionado pela historiografia remonta aos tempos antigos, quando a preocupação central era listar as bibliografias, catalogando as produções existentes. É necessário entender que, ao propor realizar um estudo historiográfico, tenhamos em mente as diversas possibilidades desses estudos. Partimos do reconhecimento da importância do contexto histórico, como ponto de referência para a compreensão das abordagens e dos conteúdos desenvolvidos nas obras estudadas, bem como para a vida do autor. Assim, ao tratarmos dos “estudos historiográficos, vale ressaltar, estamos empregando o seu sentido mais amplo, ou seja, o estudo que envolve reflexões, de natureza vária, sobre os historiadores e suas respectivas obras” (SILVA, 2001, p.22).

Ângela Maria de Castro Gomes, assim com outros autores, vê os estudos historiográficos como uma área que tem avançado; afirmando “que uma reflexão historiográfica tenha certas características, dialogue com outros e seja relida e retomada através do tempo, de maneiras diferenciadas” (2000, p. 24).  Trabalha com características que permitem discutir as relações entre a disciplina e o saber histórico.

A autora compreende a reflexão historiográfica no contexto da cultura histórica, e, mais especificamente na relação da mesma com a cultura política; aponta, assim, o quadro do Estado Novo (1937-1945) como a recuperação do passado brasileiro e sendo “um espelho do Brasil” (GOMES, 1996, p.6). Para discutir sobre tal período ela entende que ele legitimou, para a história brasileira, uma forte cultura histórica.

Recentemente, Élio Chaves Flores (2007), apresentou uma importante contribuição sobre cultura histórica ao afirmar que o conceito de “cultura histórica busca traduzir o circuito de qualificação profissional necessária a operação histórica: a formação teórico-metodológica, a análise das experiências históricas e culturais e a forma de recepção dos conhecimentos produzidos”(2007, p.3).

Ao fim e ao cabo, não podemos negar a relevante contribuição que o oitocentos deu para os debates de História, historiografia e cultura histórica.

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