Fatos históricos, políticos, econômicos e sociais. A História, relida e recontada.

O “domínio holandês” nos livros didáticos de história da Paraíba





Ainda no século XIX foram elaborados, no Brasil, os primeiros compêndios escolares[1] para o ensino de história, por iniciativa do IHGB, interessado na disseminação de uma visão ancorada no apego ao sentimento nacional e à história pátria. Segundo José Veríssimo, escrevendo entre o final do século XIX e o início do século XX, o país necessitava da publicação de compêndios de melhor qualidade porque os existentes eram “despidos de qualquer merecimento didático. São pesados, indigestos e mal escritos, além de não tratarem da Pátria” (apud PINHEIRO, 2002, p.114). Já no período republicano e seguindo os ideais do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (que, de certa forma, eram semelhantes aos do IHGB, mas traduzidos para a dimensão local), houve toda uma discussão sobre a instrução pública no estado da Paraíba[2]. De acordo com Pinheiro, em seu governo (1912-1915), o presidente:

Castro Pinto adquiriu livros escolares e distribui-os gratuitamente nas escolas públicas. Ao mesmo tempo, encarregou “o provecto e talentoso Dr. Manoel Tavares Cavalcanti de confeccionar o Epítome da História da Parahyba destinada à instrução primária” (2002, p.118).

Esta foi a primeira obra didática produzida por autor ligado à Paraíba, publicada em 1914 e adotada nas escolas primárias da rede pública, contendo 110 páginas sem ilustrações, e 41 capítulos ao todo. Nesta, por sua vez, apresenta-se toda a estrutura para o estudo da história paraibana, das origens até o governo de Castro Pinto.
Anos mais tarde, ainda sob a ótica de exaltação aos vultos mais importantes da Pátria, em 1922, um outro livro produzido por autora paraibana, Eudésia Vieira, Pontos de História do Brasil foi publicado, e com destino ao ensino primário público, adotado na Paraíba. Também de acordo com Pinheiro:

Sua obra, Pontos de História do Brasil pode ser considerada um marco na história do livro didático na Paraíba, por apresentar características do que hoje denominamos “livro didático” e por fugir dos padrões dos compêndios clássicos (2002, p.167).

         É um livro de 176 páginas que abrange o período do descobrimento da América até a revolução de 1930. Diferente da Epítome, este tinha o propósito de apresentar a História da Paraíba associada à do Brasil. Tais obras faziam parte do esforço que os governos local e nacional ainda faziam, no início do século XX no sentido de, através da educação, fortalecer o sentimento de nacionalidade entre as crianças brasileiras. Além dos compêndios escolares, “as aulas de história e geografia constituíram-se (...) em espaços privilegiados para a difusão de idéias que pudessem contribuir para a construção do “Estado–nação” (2002, p.168)[3].
         É importante citar estes dois livros porque eles são os primeiros antecessores da produção da década de 1970.
Carmem Coelho de Miranda Freire publicou sua História da Paraíba em 1974, livro de síntese histórica escrito, como já dissemos, em plena efervescência do regime militar. Para nossa análise usamos sua quarta edição, de 1982, que já contém um prefácio que havia sido escrito por José Leal[4], em 1976. Nele chama a atenção exatamente para a falta, até então, de compêndios especializados e organizados “sob critérios de pureza da linguagem e exata interpretação dos fatos decorridos no decurso que medeiam entre a colonização da então capitania Real da Paraíba e os dias correntes” (p.7). Aqui fica claro que o autor considera a obra de Carmem Coelho[5] uma grande preciosidade que segue os padrões da escola metódica, da história factual, da idéia de conhecimento verdadeiro. Ainda diz que a autora “investiga e expõe os acontecimentos sob os melhores critérios da moderna didática” (p.7).
O prefácio de José Leal ainda enaltece a estirpe da família da autora, dando ênfase ao fato de que foram “professores eméritos, destacando a sua genitora a professora Emerentina de Gouveia Coelho”. Sobre a importância e o objetivo do livro diz:

Presta serviço benemérito à mocidade sequiosa dos conhecimentos de cronologia de sua terra, e assim recebe um livro que constitui um primor de composição, uma vez que, nutrido o sentimento de verdade, seus capítulos curtos e sintéticos representam, em última análise, a condensação de conhecimentos de um passado de que todos – todos os paraibanos devemos mais nos envaidecer, nos orgulhar mesmo... o volume desta obra sem equivalente na bibliografia conterrânea surge no momento exato em que a classe estudantil busca afanosamente nas livrarias o compendio destinado a ajudá-lo na preparação de tarefas dos cursos, com a circunstância de ter sido elaborada por um mestre de largo tirocínio na cátedra do velho Liceu Paraibano, que tem sido, através do século, a forja onde tem plantado os melhores espíritos da nossa elite intelectual (p.8).

         O autor não se acanha em tecer vários elogios ao trabalho de dona Carmita, como a ela se refere, enumerando sempre a veracidade das informações que, segundo ele, a obra contempla, bem como a clareza do seu texto.
“Duas Palavras” é o título da apresentação que a autora faz de si, e da sua obra, ao leitor. Inicia fazendo um elogio ao conhecimento humano, ressaltando que só o homem “possui consciência de objetivos e, em virtude deles, age, atua” (p.9). Destaca o papel do historiador que, segundo a mesma, tem a missão de “decifrar no tempo os signos acumulados por gerações inteiras e que, uma vez descobertos servirão não só para justificar os rumos tomados por uma determinada nação” (p.9).  Declara não pretender apresentar um texto completo de história da Paraíba, mas esperar que muitas de suas explicações possam contribuir para o conhecimento histórico. Assim diz:

Sem ter, de modo algum, a pretensão de oferecer um diagnóstico completo da “História da Paraíba”, seguem aí alguns “signos decifrados” da nossa história, signos já de caráter dogmático.
Desse modo, procurando, na medida do possível, dar um caráter didático às explicações do período em questão, ofereço o presente volume a todos aqueles que se interessam ou desejam iniciar as suas pesquisas num dos principais trechos da história da nação brasileira – “História da Paraíba” (p. 9).

         Para Sousa, com o qual concordamos, tanto no prefácio, como na apresentação pessoal da autora, a concepção que se evidencia e que se percebe é marcada por “uma história oficial, como a construção da história pátria e a idéia de verdade em história, a partir da preocupação com a exata interpretação dos fatos” (2008, p.41).
Entre as várias fontes consultadas pela autora é importante destacar que estão as obras de Maximiano Lopes Machado e Irineu Ferreira Pinto. Apenas o livro do Frei Vicente Salvador História do Brasil (1624), dentre as que consultou, não foi produzido por autor vinculado ao IHGB ou ao IHGP. Na sua maioria, as referências são quase todas de autores pertencentes à agremiação paraibana[6], exceto a obra de Gilberto Freyre, Novo Mundo nos Trópicos, que pertenceu ao instituto pernambucano.
Os capítulos da obra estão assim organizados: os aspectos que antecederam à colonização portuguesa, o meio físico e geográfico, apontando por regiões e pelos limites; as vilas, dando destaque às de Pilar, Sousa, Campina Grande, São João do Cariri, Pombal e Areia; a administração, marcada pelas ações dos primeiros capitães-mores ou governadores, enfatizando nomes como João Tavares, Frutuoso Barbosa, André de Albuquerque Maranhão e Feliciano Coelho de Carvalho[7], as ordens religiosas dos jesuítas, franciscanos, beneditinos e carmelitas; os índios e sua divisão em Tabajara e Potiguara, além dos Tapuias, Cariris e etc; o período holandês, nosso foco de análise, que destacaremos com mais detalhe abaixo. Retrata, ainda, a conquista para o interior, com a ação dos bandeirantes, e faz uma descrição das mudanças que ocorreram na cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves (hoje João Pessoa) desde sua fundação em 1585; aborda, ainda, aspectos econômicos apresentando dados relativos à produção do pau-brasil, do açúcar, algodão, gado e do tráfico de escravos. Quanto aos aspectos sociais da capitania entre os séculos XVII e XVIII, analisa o papel do catolicismo e das Igrejas e as “classes sociais” existentes, que ela identifica como sendo: “a senhorial, do campo, cuja riqueza se apoiava na terra, a classe clerical, a nobreza intitulada, a senhorial urbana, a dos trabalhadores livres e os escravos”. (FREIRE, 1982, p. 70). Ingressa na apresentação do século XIX, perpassando todo o Império, mas dando destaque especial à Revolução de 1817 na Paraíba, sustentando-se, para isso, diretamente na obra de Irineu Pinto que dedicou quase cem páginas para esta questão. Em ambas as obras, separadas por cerca de sessenta anos se considerarmos as datas de suas publicações, ressalta-se os feitos heróicos e republicanos dos paraibanos que participaram da revolta, mas, sem dúvida alguma, o foco da atenção é todo voltado para a figura de José Peregrino de Carvalho. Irineu Pinto traz uma série de documentos que retratam a carreira militar de Peregrino, mostrando, inclusive, as diversas possibilidades que ele teve de estudar fora da Paraíba e do Brasil (PINTO, 1977, p.247). A seguir, Carmem Coelho levanta, também, questões sobre a República na Paraíba, a Revolução de 30, a Segunda República, quando finaliza, renunciando ao enfoque cronológico adotado até então, para tratar de alguns temas mais específicos como as questões sobre a instrução, professores, escolas, artes, letras, folclore, turismo, jornais, dentre outros.
Possui uma parte bem interessante que é o apêndice, onde apresenta tabelas com os nomes dos presidentes do Tribunal de Justiça da Paraíba, num total de 23 entre 1930 e 1978; além de relações de prefeitos, vereadores e juntas governativas, destacando um total de noventa e três, governadores e interventores. Apresenta também uma relação dos municípios que existiam, à época, no estado.
O cerne desta parte, no entanto, está no texto em que tece críticas à obra Revolta e Revolução - 50 Anos Depois, de autoria do ex-deputado José Joffily. Nela, o autor fazia referências a ela como tendo participado de movimentos de rua a favor do presidente João Pessoa, a exemplo de passeatas, bem como que sua genitora, a professora Maria Emerentina, teria conduzido e/ou influenciado suas alunas e outras colegas de profissão, a recitar quadrinhas de cunho liberal em ambientes públicos. Indignada com o que considera uma visão parcial à qual falta verdade, Carmem Coelho afirma que tais “acusações” derivam da antipatia que o autor nutria em relação ao presidente João Pessoa. A mesma, que fora liberal e aliada do presidente, trata de elaborar sua defesa para as tais acusações de José Joffily, por quem demonstra inegável aversão. Para tanto, busca e apresenta depoimentos de pessoas que viveram na época, como o Sr. José Bethamio Ferreira e a Sra. Georgina Sobreira que confirmam a não participação da mesma, bem como de sua mãe, nos episódios narrados por José Joffily.
Ao fim e ao cabo, Carmem Coelho deixa claro um compromisso com a historiografia tradicional e monumental da Paraíba. Tal compromisso é bem perceptível não só no prefácio da obra, na apresentação que ela mesma faz, e nas páginas do texto, mas também nas imagens contidas no livro. Sousa (2008) chama atenção para este aspecto, pois as imagens se associam às características da tradição do IHGP, de história oficial positivista ou tradicional. O autor se refere a elas como a expressão preeminente dessa história factual e monumental que apresenta uma “idéia de verdade”, ou seja, de uma interpretação exata dos acontecimentos. Ainda vai além, quando afirma que tais fotos apenas servem de ilustração e não como elementos que ajudam à interpretação do texto, e que são sempre associadas a grandes personagens ou instituições.

Com certeza, tanto o olhar de quem escolhe as imagens como o lugar que aparecem na obra tem significados, produzem sentidos, o que significa dizer que elas contribuem para a construção, elaboração de uma certa noção de história e, mais especificamente, de história da Paraíba (SOUSA, 2008, p.41-42)

Um outro aspecto importante, também apontado por Sousa (2008) e que merece ser destacado, diz respeito ao uso das ilustrações ser, em grande parte, influenciado pelo período em que a obra foi escrita, o da ditadura militar. Daí, então, a seleção que a autora fez em torno de figuras associadas a monumentos e a pessoas da vida político-administrativa e religiosa local.  Como exemplo está a imagem da capa: o busto de João Pessoa e, no final do livro, um repertório fotográfico de pessoas consideradas importantes, a exemplo do jornalista Arthur Achilles, do prefeito Walfredo Guedes Pereira, de seu próprio irmão, o bispo Carlos de Gouveia Coelho, além de sua mãe, a professora Maria Emerentina de Gouvêa Coelho, que merece o destaque reservado a poucos no livro, com fotografia que ocupa a página inteira.
A autora ainda utiliza o recurso a várias listas, a que já nos referimos, de nomes de pessoas, cidades, professores importantes que serviriam para facilitar o aprendizado dos alunos. Percebe-se, dessa forma, que a preocupação em fixar nomes de personagens é reiterada não só no texto, mas também sob a forma de repertórios a serem decorados pelos alunos e de imagens a serem fixadas e constantemente rememoradas. Aprender História, assim, se resumia à identificação de nomes, datas e fatos, aos quais a autora reserva grande parte do seu livro, procurando fazê-lo bem didaticamente, de forma simples, direta e clara, de forma a conduzir o aluno a reter aquilo que era considerado fundamental para a formação do patriota. Este, como já discutimos anteriormente neste capítulo, se tornou o objetivo claro da disciplina de História e das outras criadas pela ditadura militar, a exemplo da Educação Moral e Cívica e da Organização Social e Política do Brasil, que tiveram seus conteúdos reduzidos a uma perspectiva laudatória e comemorativa, em especial quanto às datas cívicas e folclóricas e também à consagração dos heróis da Pátria e das pessoas importantes. No caso da Paraíba, tais heróis fundamentais foram extremamente destacados na obra de Carmem Coelho, a começar por André Vidal de Negreiros, no século XVII, e depois, por Peregrino de Carvalho, no século XIX, entre inúmeros outros.
Ainda com relação às imagens, há de considerar também vários outros problemas como: a não identificação ou identificação errada de algumas delas, na verdade, fotografias, a exemplo da que consta na página 37 em que o Convento de Santo Antônio é identificado como Convento de São Francisco, ou a ilustração da página 26, extraída do livro do Frei João José de Santa Teresa[8], inspirada em tela de Frans Post, que não aparece corretamente identificada. Aliás, nenhuma das fotos tem a indicação de autoria ou do acervo de onde foram extraídas, o que revela um descuido enorme em relação à parte gráfica da obra e às normas de referência para trabalhos científicos, mas também no que se refere ao próprio ofício da história que exige acuidade e clareza em relação às fontes. Fato que não deveria ser desconsiderado por alguém que manifestava preocupação, inúmeras vezes reiterada, com a “verdade” dos fatos. No total são oito imagens no corpo do texto sem qualquer referência às suas fontes.
   De todos os conteúdos que apresenta, a que já nos referimos acima, cabe a nós a análise de um: a ocupação holandesa. Neste capítulo, o sétimo, com onze páginas, e no que concerne ao período holandês, expõe apenas uma foto da capela do Engenho Santo André onde, segundo ela, foram travadas batalhas contra os holandeses. Não data a foto, não cita a referência, coloca a gravura com esta descrição, mas não analisa as lutas de separação entre os brasileiros e os holandeses.
Apresenta a história dos holandeses mostrando, de início, os antecedentes da ocupação e a influência que a União Ibérica teve sobre a invasão flamenga na área que, na época, era chamada de Norte do Brasil, hoje Nordeste. No período das invasões holandesas, o Brasil estava dividido em capitanias e em regiões, Norte e Sul apenas. Todas as outras partes das regiões brasileiras foram subdivididas para facilitar a compreensão dos alunos com relação aos estados da nação, bem como com relação ao deslocamento das fronteiras do Brasil. A autora também ressalta o poder de Filipe II e considera, como o fato mais importante do período, a sucessão do reinado de Portugal, que acabou por ficar nas mãos daquele monarca que, segundo ela, “comprou a nobreza [portuguesa] a preço alto” (p.48) já que, com morte do rei de Portugal, Dom Sebastião, Filipe II era o parente mais próximo. Este, bastante “ambicioso” não mediu esforços para se tornar o rei de Portugal e da Espanha. Maximiano Machado destaca, com bastante ênfase, a União Ibérica, recuperando os detalhes relativos à morte do rei de Portugal, D.Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir, na África e à crise sucessória que se seguiu até a união das coroas de Portugal e Espanha sob o comando de Filipe II. Por sua vez, Irineu Pinto nas suas Datas e Notas não dá detalhes deste episódio.
   Apresenta, a seguir, como se deram os ataques na Bahia (em 1624) que, segundo ela, apenas serviram para que os holandeses se restabelecessem dos conflitos e levassem consigo índios para serem educados na Europa e que, mais tarde, seriam peças importantes nas novas investidas em Pernambuco e na Paraíba. Sobre o ataque que ocorreu na Paraíba, antes menciona superficialmente a conquista de Recife, em 1630, e que “Matias de Albuquerque, o governador de Pernambuco, vendo que nada podia fazer contra os holandeses, incendiou os armazéns do porto do Recife” (1982, p.49). Sobre a conquista do Recife, Machado ressalta:

No dia 9 de fevereiro de 1630 chegou uma caravela do Cabo-Verde, expedida pelo respectivo governador, João Pereira Corte-Real, a dar aviso de que a esquadra inimiga por alli passara com destino á Pernambuco. Mathias d´Albuquerque não se deteve, mandou tocar á postos, e fez concentrar em Olinda as milícias do interior, municiando-as e preparando-as para a defesa (1977, p.147).

   O texto ressalta as discussões relativas aos aspectos sociais e administrativos dando destaque para os governadores que a Paraíba teve ao longo do período da ocupação, entre eles: Servais Carpentier, Ippo Eyssens, Elias Herckmans, Daniel Aberti, Gisbert de With e Paulo de Lince. Reitera a visão típica do positivismo que exalta e glorifica os nomes dos grandes homens, dos heróis, a exemplo do que diz a respeito de Antônio de Albuquerque, o Capitão-Mor da Paraíba à época da ocupação holandesa: “pode-se dizer que Antônio Albuquerque foi o herói contra as invasões holandesas na Paraíba, se destacando com bravura e dignidade” (FREIRE, 1982, p.54). Machado, embora não destaque em excesso o nome de Antônio de Albuquerque como faz Freire, reconhece, no mesmo, as qualidades de administrador e chefe militar na Paraíba por ter cuidado, com todo o zelo possível, da defesa da terra antes dos primeiros ataques holandeses que começaram ainda no ano de 1630: “não perdeu tempo [Antônio de Albuquerque] do muito que consumiam os hollandezes em manter-se no Recife para fortificar a Parahyba” (1977, p.152). Pinto (1977), por sua vez, destaca como Antônio de Albuquerque, depois da ocupação da cidade em janeiro de 1635, seguiu para o Recife com seus soldados e muitos moradores que não quiseram se sujeitar ao domínio holandês. No que se refere aos aspectos sociais, a autora aborda que a capitania ficou dividida em dois grupos: o de homens livres e o de escravos. “Os homens livres eram os holandeses, portugueses e brasileiros e os escravos eram considerados de procedência brasileira (filhos de escravos) ou africana: negros, mulatos e mamelucos” (p.56). Esta divisão chama a atenção para uma questão: o papel dos indígenas. A autora não teve a preocupação de mencioná-los, de perceber como se comportaram durante este período das invasões holandesas, mas dedica um outro capítulo do livro aos indígenas, onde apresenta alguns dos participantes, especificamente Felipe Camarão e Pedro Poti, ressaltando que este último foi para a Holanda e lá obteve educação. O fato de dedicar um capítulo aos indígenas revela sua filiação a Maximiano Machado que lhes dá lugar central na história da Paraíba. A autora aponta para as duas “raças” de índios que aqui viviam: os “tupis e cariris ou tapuias. Os tupis se dividiam em tabajaras e potiguares, que por sinal eram inimigos” (FREIRE, 1982, p.43). Diz que os potiguares eram superiores com relação à população e que não viviam em terras distantes do litoral. Os demais, cariris ou tapuias, habitavam outras localidades, como as regiões onde estão localizadas, hoje, as cidades de São João do Cariri, Campina Grande, Rio do Peixe, Piancó, Sabugi, dentre outras. Na página 45 a autora repete a afirmação que, desde o século XIX, com a fundação do IHGB e a obra de Varnhagen, se constituiria como a verdade acerca da formação do povo brasileiro, ou seja, a de que a união desses três elementos (branco, preto e índio) criou o que ela chama “raça brasileira” e que, pela primeira vez, elas se comportaram como tal, na guerra contra os holandeses.
No que se refere ao aspecto administrativo, faz uma breve síntese dos administradores holandeses, que citamos acima, e de suas trajetórias à frente da administração da capitania, e tal como Machado e Pinto, também aponta Elias Herckmanss (terceiro diretor “holandês” da Paraíba, entre 1636-1639) como sendo um dos mais ilustres dos governadores, destacando-se por ter escrito a crônica intitulada Descrição Geral da Capitania da Paraíba[9], na verdade, um relatório enviado à Companhia das Índias Ocidentais descrevendo as terras, a natureza, os povos indígenas que nelas viviam e a cidade da Felipéia de Nossa Senhora das Neves.
Por fim, as datas que Carmem Coelho utiliza na sua obra são aquelas selecionadas por Pinto, entre as páginas 43 e 62, nas suas Datas e Notas, já que ele mapeou toda uma cronologia para a história da Paraíba que, por sua vez, é praticamente a mesma de Machado como, por exemplo: 1630 → quando ocorre a rendição de Pernambuco frente aos holandeses sobre a qual Carmem Coelho não apresenta nenhuma discussão mais aprofundada; 1634 → a conquista da Paraíba, em que todas as narrativas concordam em relação às datas e à descrição das três tentativas de invasão, ou seja, a primeira em 1631, a segunda em fevereiro de 1634 e a rendição final em dezembro de 1634; 1645 → libertação da Paraíba do jugo holandês; 1648 e 1649 → batalhas do Montes dos Guararapes; 1654 → rendição final na Campina da Taborda. Todas estas datas e movimentos também foram citados por Irineu Pinto.
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Vilma dos Santos Cardoso Monteiro teve seu livro, Pequena História da Paraíba, publicado em 1975, exatos setenta anos após a fundação do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. A edição se inicia com a apresentação de uma série de trabalhos publicados pela autora totalizando onze produções. A edição é apresentada ao leitor, em três páginas, com o título “Como se fosse um prefácio”, escrito por Iveraldo Lucena da Costa. O mesmo afirma que não pretende elaborar um prefácio, prefere utilizar o termo depoimento, devido à forte vinculação que teve com a autora, pois fora seu orientando na Universidade Federal da Paraíba e um grande admirador de suas atitudes e de sua personalidade. Dá um grande destaque aos estudos que a mesma realizou sobre a história da Paraíba, em especial, ao trabalho dedicado à Fortaleza de Santa Catarina. Assim diz: “tudo o que fosse relacionado com a Paraíba era de seu interesse; pesquisou e estudou aspectos de nossa história dos primeiros tempos e ajudou a fazer a contemporânea” (p.11). Ainda nos dá uma informação muito importante, a de que Vilma Monteiro falecera quando escrevia essa obra, a Pequena História, que ela acreditava que se transformaria em um manual de referência para os estudos da Paraíba, mas que não chegou a ver acabado. Lucena fala dos detalhes que compartilhou com a autora, aborda as emoções da mesma e seu entusiasmo com a escrita do livro: “conhecíamos em detalhes, a motivação e o plano da obra... [Vilma] tomou a si, sem encomenda, a tarefa de escrever um livro em linguagem simples, objetiva e o mais completo possível” (p.11).
De acordo com Lucena, embora o livro não tivesse sido concluído, isso não era um impedimento para a leitura e compreensão do mesmo, nem para o reconhecimento da sua contribuição para a história da Paraíba, pois a sua qualidade era inegável. Para ele, um dos pontos fortes da obra era justamente o seu didatismo: “além do valor intrínseco da informação histórica, a forma didática de sua elaboração concede-lhe especial interesse e importância” (p.12).
Uma questão importante para a qual chama a atenção é o fato do livro não possuir gravuras, gráficos, apêndices, justamente porque ela não conseguira concluir o trabalho, mas destaca que a seleção desses materiais estava em andamento. No entanto, após a sua morte, os resultados desse esforço não haviam sido localizados nos arquivos da autora.
Este “Como se fosse um prefácio” é, na verdade, um inventário do carinho e amizade que Iveraldo Lucena da Costa tinha pela autora: “gostaria de não ter sido preciso escrever esse quase prefácio nas circunstâncias em que faço, porém isso me dá a oportunidade de manifestar o meu reconhecimento pessoal” (p.13).
 Em maio de 1979, José Américo de Almeida fez uma apresentação pessoal da obra, que é outra parte interessante da mesma. Sobre Vilma, afirma que: “exercia todos os cargos que lhe foram confiados com firmeza e eficiência” (p.15). O mesmo se julga também grande admirador da autora e da forma como ela conduzia seus trabalhos. Diz que, enquanto governador da Paraíba (1951-1956), teve a oportunidade de trazer importantes nomes para a escala educacional: “entre esses elementos figurou a professora Vilma dos Santos Cardoso Monteiro, cearense que exercia sua profissão em São Paulo, e que se afirmou na Paraíba” (p.15).  E sobre a importância desta obra como livro didático diz: “é sua experiência dessa matéria que professou na nossa Universidade. Se não tem maior fôlego, vale pelo didático como um livro feito para estudantes” (p.16-17).
Na sua apresentação, a autora aponta que seu esforço pela elaboração de um trabalho didático, a que ela chama de “emergencial” devido à carência deste tipo de materiais na Paraíba, foi bastante grande e que, como se tratava de uma obra desta natureza, procurou não se alongar em notas relativas as fontes (p.21). Sua compreensão acerca de como se deveria, e com quais objetivos, produzir uma obra desta natureza está expressa claramente nesta passagem que se segue:

Entendo que a verdadeira Ciência Histórica deva procurar o máximo de objetividade; assim, a História da Paraíba não deve ser estudada com desvinculação da História do Brasil. Se ainda não tem todas as suas incógnitas decifradas, sendo a elucidação de seus elementos um permanente motivo de pesquisa, deve também objetivar dois pontos: corrigir erros e colocar-se no contexto da História nacional, no lugar certo. Sem exageros ou fantasia, mas também procurando eliminar a profunda omissão que vem sofrendo (p.22).

           
         A sua compreensão do que fosse a história “verdadeira”, pautada pela “objetividade”, fica bastante explícita na forma como seleciona e aborda os conteúdos tratados no livro: a causalidade linear, a preocupação com a cronologia, a seleção de eventos em que sobressaem as ações das elites (econômicas e políticas), a reprodução de um panteão de heróis que já fora estabelecido nas primeiras histórias da Paraíba (a de Maximiano Machado e a de Irineu Pinto, além da de Irinêo Joffily, Notas sobre a Parahyba). Por outro lado, assim como Machado constantemente alertará em seu livro escrito no final do século XIX, e sobre o qual trataremos no último capítulo deste trabalho, Vilma Monteiro continua a chamar a atenção para a necessidade de se considerar que a História da Paraíba também é importante para se entender a História do Brasil. Ou seja, que a história da Paraíba deveria se impor e ter seu lugar de relevo na historiografia nacional.
         Estruturalmente o livro está divido em dez unidades que exploram a história local, desde a fase pré-colonial até a restauração da ocupação holandesa, e que, por sua morte prematura, não chegou ao fim. Com relação à bibliografia utilizada, ela a aponta ao final de cada capítulo, por meio de notas, citando cronistas como o do Sumário das Armadas, Duarte Coelho, Elias Herckmans, e também, autores clássicos da historiografia e da literatura local e nacional, como: Maximiano Lopes Machado, Irineu Ferreira Pinto, Joaquim Veríssimo, Eduardo Prado, José Alencar, José Antônio Gonsalves de Mello. Utiliza, ainda, o Almanaque do Estado, tratados, dicionários, revistas, além de sua própria obra sobre a Fortaleza de Santa Catarina.
            O livro, em todas as partes, vem seguido de um roteiro de aprendizado, uma espécie de resumo no início e no fim do capítulo, que deixa clara a intenção de indicar ao leitor aquilo que é tratado e também aquilo que é considerado mais importante em cada capítulo e que, portanto, deve ser fixado. Começa com uma discussão sobre a Paraíba Pré-Colonial, apoiando-se no papel das populações indígenas, na geografia da Paraíba e passa para a conquista ressaltando que, para a mesma, foram necessários quatro ataques até a rendição final, reforçando a abordagem tantas vezes enfatizada na historiografia paraibana, a partir da obra de Maximiano Machado, que privilegia a bravura, a resistência, a persistência dos homens da terra, tanto os nativos, quanto aqueles que viriam a fundar a Paraíba, os conquistadores. As notas ao fim de cada capítulo são explicativas e com indicações de leitura. Dá uma grande dimensão ao papel econômico que teve o açúcar, desde as suas origens até o momento de sua crise no século XVII, enaltecendo-o como fonte de riqueza e destacando suas regiões mais importantes, bem como a fiscalização por parte da Coroa em torno dele e quais os efeitos que a monocultura sofreu.
            Seu livro é escrito com dez unidades sendo, da cinco até a nove, dedicadas ao capítulo das invasões holandesas, como já dissemos. A autora aprofunda aspectos dessa permanência na Paraíba, pois o leque de sua discussão é bem maior que o de Carmem Coelho. Ressalta as tentativas holandesas e a conquista com mais detalhes, caracterizando a administração, a economia e, em seguida, a expulsão. Também não trabalha com a questão cultural, mesmo sabendo da sua importância. Vejamos o que diz: “as únicas heranças válidas dos holandeses, na Paraíba, resumem-se no plano histórico, através de relatórios e outros escritos, que informam sobre os costumes dos índios, os engenhos, as plantas e a geografia urbana e rural” (MONTEIRO, 1975, p.111).
           Na quinta unidade apresenta os objetivos da Holanda em relação às terras da Capitania da Paraíba, explicita como se deu a execução dos seus planos e como se formou a direção geral, por meio da Companhia das Índias Ocidentais. Apoiando-se em Irineu Pinto destaca os episódios relacionados à presença da esquadra holandesa na Baía da Traição como um dos momentos importantes da ocupação, embora anterior a ela: “o primeiro contato efetivo que a Paraíba registrou, com os holandeses em guerra com o Brasil, data de 1625, quando uma armada fundeou nas proximidades da Baía da Traição[10]” (p.89). Como se vê, também seguindo Irineu Pinto que afirmara que “[em 1625] fundeia na Bahia da Traição a esquadra hollandeza que deixara a cidade da Bahia, sob o commando do Almirante Bondervyn Hendrikszoon para fazer aguada e apanhar mantimentos” (1977, p.38), Vilma Monteiro não analisa a importância desses acontecimentos para o processo que se seguiu. Trata-se apenas de mais uma data a ser fixada.
         A autora traça caminhos bem interessantes, construindo roteiros para deixar mais clara as discussões que vai fazer. De forma bem didática apresenta todo o percurso que antecedeu as invasões até o momento da consolidação final dos ataques, que culminaram em 1634.
       Já na unidade seis, o eixo da discussão é o aspecto administrativo. Ela divide esta etapa em seis períodos, que vão de 1630 a 1654, alegando, apoiada em Mário Neme, que sempre houve “carência de autoridade política, conflitos de jurisdição, carência de autoridade moral, predominância do espírito de lucro e deficiência de estrutura jurídico-política” (NEME apud MONTEIRO, p.98). Fala da mudança do nome da cidade para Frederica e da sua libertação em dois de setembro de 1645; tópico, aliás, constante em Pinto e em Machado. Ainda sobre a administração aponta dados relativos à população, aos conventos e ao seu funcionamento, ao papel que teve cada um dos governadores durante os vinte anos da ocupação, e, finalmente, destaca as formas da administração holandesa, baseadas nas câmaras dos escabinos e nos escoltetos.
         Na unidade sete aponta para as questões econômicas, mostrando as três “classes”, a dos capitães de comércio, a dos luso-brasileiros e a dos holandeses, demonstrando as fontes de renda com a cultura canavieira e com os dízimos dos rendimentos do açúcar. Fato curioso é que Machado (1977) também chama atenção para esta questão e aponta nas páginas 186 para os gastos com tais rendimentos. Sobre os fatores que interferiram na economia local afirma que as principais foram: “baixa do valor do açúcar, carência de capitais, alto preço do braço escravo, epidemias e inundações e guerrilhas” (p.121). Ainda com relação à economia apresenta dados, e nesta parte também deduzimos que a autora se sustenta nas obras de Machado e Pinto, pois se trata dos mesmos citados pelos autores, como as fontes de renda, os problemas de capital e da produção açucareira. A diferença é que ela os apresenta sob a forma de quadro e por anos, organizadamente.
A unidade dedicada às lutas de libertação é a mais forte de seu texto, porque traça esquemas que resumem todo o processo, como os fatores que levam à sua eclosão, a posição de Portugal, as principais vitórias da insurreição, os líderes.
Na unidade nove, tal como em Carmem Coelho, faz todo um discurso de apologia à figura de André Vidal de Negreiros, como sendo o herói da restauração. Confirmando sua vinculação com os ideais do IHGP, enaltece este herói, além de João Fernandes Vieira, Francisco Barreto, Antonio Filipe Camarão, Henrique Dias, Martins Soares Moreno, Antonio Dias Cardoso e Francisco Figueiroa (p.127). Particularmente, no caso de André Vidal, na unidade que o discute, menciona as fontes, entre elas, Vanhargen, Southey e Frei Manuel Calado usando citações dos mesmos que expressam a sua heroificação.
Ao fim e ao cabo, as duas autoras têm muita coisa em comum, como a utilização das fontes de Maximiano Lopes Machado e Irineu Ferreira Pinto, além de mapearem e escreverem livros que buscavam se firmar como guias didáticos para serem seguidos e também por exaltarem a idéia de que haviam produzido a história “verdadeira” da Paraíba. Também têm em comum, como já afirmamos, o fato de terem sido contemporâneas, vivendo e escrevendo na época da ditadura, como sócias do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. De fato, cada uma, mesmo com tanto em comum, também teve suas peculiaridades. Por exemplo, Vilma Monteiro, professora universitária, com formação específica em História, aprofunda mais os seus textos, explicita as fontes, preocupa-se com a cronologia, procura construir instrumentos didáticos como os “resumos” que antecedem e concluem cada capítulo.
Trata-se de obras importantes da historiografia didática da década de 1970 na Paraíba, até porque foram as únicas a serem escritas à época. Ou seja, o lugar social a que foram vinculadas diz muito sobre a maneira como escreveram seus livros, já que foram sócias do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Além disso, a história de vida de ambas, o clima da época em que produziram, a década de 1970 sobre a qual já tecemos detalhes, marcada pela censura e pelo autoritarismo, se expressam claramente em suas obras.
Conhecendo um pouco da trajetória destas autoras, buscamos perceber e detalhar como escreveram e quais são as discussões mais importantes em seus textos. Que vinculações tiveram ao escrever suas obras? Porque Maximiano Machado e Irineu Pinto podem ser considerados os elaboradores das idéias-força da historiografia paraibana sobre o período holandês?



[1] De acordo com Moraes, a partir da década de 1920, o termo livro didático passou a ser mais utilizado que o de compêndio, principalmente nos textos comerciais (2007, p.264).
[2] No livro, essencial para a nossa análise, fruto de sua tese de doutoramento defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação/Unicamp, Antônio Carlos Ferreira Pinheiro, professor da Universidade Federal da Paraíba, discute a organização e o funcionamento da instrução pública na Paraíba, no período de 1849 a 1949, abordando aspectos como os conteúdos ensinados nas escolas locais no período imperial, o tipo de compêndios que eram utilizados, a questão da relação entre o ensino de história e as tentativas de se promover o sentimento nacional entre os paraibanos, dentre outros aspectos. Para obter maiores detalhes, consultar: PINHEIRO, Antônio Carlos Ferreira. Da Era das Cadeiras Isoladas à Era dos Grupos Escolares na Paraíba. Campinas, SP: Autores Associados; São Paulo: Universidade São Francisco, 2002. Para uma discussão específica acerca das relações entre escola e o universo do trabalho na Paraíba nesta época, ver: Lúcia de Fátima Guerra Ferreira. Educação e Trabalho na Paraíba: a Escola de Aprendizes e Artífices. In: Saeculum. Revista de História. n.3. João Pessoa: DH/UFPB, Jan/Dez 1997 (p.69-79)  e a dissertação de Mestrado em História de Guaraciane Mendonça de Lima. O Collégio de Educandos Artífices (1865-1874): a infância desvalida da Parahyba do Norte. 2008. Universidade Federal da Paraíba.
[3] Para uma discussão mais cuidadosa sobre a história como disciplina escolar, em especial no século XIX, consultar o artigo de Marcelo de Souza Magalhães, “História e Cidadania. Por que ensinar história hoje?” (in: ABREU, Martha; SOIHET, Rachel (orgs.). Ensino de História. Conceitos, Temáticas e Metodologia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003, p.168-184).
[4] Tal autor foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, ingressando em 10 de março de 1946. Nasceu na fazenda Ponta da Serra, São João do Cariri, no dia 16 de julho de 1891. Era filho de Antônio Claudino Leal e Inácia Ramos Leal; em 1920 casou-se com Ester Romero Leal, nascendo desse casamento os filhos: Homero, Péricles, Maria das Dores, Maria da Penha, Achiles e Milcíades. José Leal faleceu em João Pessoa no dia 25 de outubro de 1976. São de sua autoria: A Imprensa na Paraíba, 1941; Este Pedaço do Nordeste, 1943; O Primeiro Decênio da API: como surgiu e tem se desenvolvido essa entidade, 1943; Itinerário da História, da Colonização da Paraíba aos nossos dias, 1945; Reencontro da Vila, 1961; Itinerário da História: Imagem da Paraíba entre 1518 e 1965, 1965; Família Costa Ramos, 1968; Acidentes Geográficos da Paraíba, 1970; Assim eram as coisas..., 1970; Vale da Travessia, 1971; Dicionário Bibliográfico Paraibano, 1980. Deixou inédito: Índice corográfico e administrativo da Paraíba; Ronda da Província; Noções de Corografia e História; Imagens Desfeitas. Para maiores detalhes, consultar o sítio eletrônico do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Acesso: 20 de jul. 2009.
[5] Embora seus contemporâneos a chamassem, como já dissemos antes, D.Carmita, como autora do livro didático ficou conhecida como Carmem Coelho, e a sua obra como “a história da Paraíba de Carmem Coelho”.
[6] Consultou as seguintes obras dos autores do IHGP: TAVARES, João Lira. A Parahyba. v.11. Paraíba: Imprensa Oficial, 1910; MARIZ, Celso. Apanhados Históricos da Paraíba. Paraíba: Imprensa Oficial, 1912; MEDEIROS, Coriolano de. Dicionário Corográfico do Estado da Paraíba. 2ed. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1912; CAVALCANTI, Manuel Tavares. Epítome de história da Paraíba. Paraíba: Imprensa Oficial, 1914; MARIZ, Celso. Evolução Econômica da Paraíba. João Pessoa: 1939; LEAL, José. Itinerário da História, Imagem da Paraíba entre 1518 e 1965.  João Pessoa: Gráfica Comercial, 1965; JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Parahyba. Rio de Janeiro: Jornal do Comércio, 1982 e ALMEIDA, Horácio. História da Paraíba. Tomo I, parte primeira. João Pessoa: Imprensa Universitária, 1996.
[7] Estes nomes já estão presentes tanto no livro do Maximiano Lopes Machado, a História da Província da Paraíba, do capítulo primeiro ao quinto, onde discute a conquista e colonização da Paraíba, bem como no primeiro capítulo das Datas e Notas para a História da Paraíba de Irineu Pinto, que cobre todo o século XVI, também referente ao contato e à colonização.  Para uma melhor compreensão de passagens onde os autores discutem a participação desses personagens, consultar as duas obras nos capítulos apontados.
[8] A referência da obra, que é rara, é: SANTA TERESA, Frei João José de. Istoria delle guerre del regno del Brasile: accadute tra la corona di Portogallo, e la Republica di Olanda / composta... dal P. F. Gio.: Gioseppe di S. Teresa... - In Roma [Itália]: Nella Stamperia degl'Eredi del Corbelleti, 1698.
[9] Datado de 1639, com o título original Generale Beschrijvinge van de Capitanie Paraíba. Foi editado pela primeira vez na Crônica de Utrecht (1879). A primeira edição em português data de 1886. Descripção Geral da Capitania da Parahyba. In: Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Recife, IAHGP. 5(31), outubro, 1886.
[10] A Baía da Traição serviu para os holandeses se recuperarem da primeira tentativa de invasão à Bahia, em 1625, e para levarem consigo vários indígenas (entre eles Pedro Poty) que, mais tarde, seriam peças fundamentais para a efetivação da conquista.

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