Fatos históricos, políticos, econômicos e sociais. A História, relida e recontada.

As contribuições de Karl Marx para a História


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O século era o XIX. O debate era posicionar o conhecimento histórico à condição de ciência, já que a que vigorava de forma intensa era a história positivista, factual e heróica. Os teóricos da escola científica alemã, como Ranke, por exemplo, trataram de elevar a categoria, disciplina, lorota História ao patamar científico e de verossimilhança com as tais ciências que predominavam na época: as ciências da natureza.

Com a efetiva consolidação da sociedade burguesa e do capitalismo industrial em plena ebulição, dois dos mais influentes pensadores trataram de elaborar uma nova concepção filosófica de se entender e enxergar o mundo: o materialismo dialético, fazendo para tanto críticas ao modo pelos quais se comportavam e se organizavam a sociedade desta época, do oitocentos. E ele não pensou só. Junto com Engels, fundaram o método materialista histórico de se conhecer a história com base em sua totalidade e com discussões coesas e mais profundas que até então a história positiva não alcançava.

Tais pensadores refletiram sobretudo acerca do capitalismo, da sociedade burguesa e de suas leis e como elas evoluíram e transformaram-se em tendências de explicações não só históricas, como filosóficas e sociais. Antes, ao entanto, estudaram as sociedades que a antecederam, como mecanismo de traçarem o pensamento crítico deles. Sociedades que precederam a capitalista, esta que a gente conhece bem, que é cruel, desumana e multifacetada, intrigante e separatista.

No bojo deste processo, aplicaram o método materialista histórico, provocando até os dias de hoje uma mudança definitiva na maneira de como devemos pensar, produzir e executar o conhecimento histórico, que é rico, plural, cheio de tendências e que molda padrões. A base de estudo era a tese de transformar a sociedade burguesa numa que fosse revolucionária. Até hoje sofrem duras críticas, mas esta forma de se entender a História predominou por longos anos nas universidades e apesar de hoje termos inúmeras outras correntes, a presença da história marxista é forte e arraigante.

Este materialismo determina que os seres humanos para viverem e viverem bem em sociedade precisam transformar a natureza e o mundo em qual estão inserido, fazendo críticas e buscando o estudo da história total. Não se consegue tamanha proeza de maneira independente e isolada, faz-se necessário o estudo em conjunto, onde se possa ter relações que não dependam exclusivamente de uma única vontade, mas da visão total e transformadora de mundo  e de como estes meios são importantes para entender que o estudo de história é o estudo da evolução ou das evoluções das sociedades, da antiguidade até os dias de hoje. O famoso lema da história das lutas de classes.

Ainda de acordo com eles, o conhecimento histórico é um processo dinâmico, dialético, onde os seres humanos apresentam sua realidade social por meio do princípio da contradição, causando uma transformação constante na história de seus povos e de suas lutas. Nada está parado. O debate é dialético, amplo, intenso e exaustivo. Tais filósofos nos aprimoram a melhor ou uma das melhores visões de encaixar bem os debates acalourados acerca desta ciência tão complexa, que é a História. Fazendo isto e chamando atenção para o processo como uma totalidade e para suas organizações em classes, fomentaram os indivíduos a necessidade de escreverem de maneiras diferenciadas os processos históricos.

Estes legados ultrapassam fronteiras e ganham horizontes largos e evadem-se pelo mundo afora. Aos poucos a teoria marxista foi sendo lida e relida pelos historiadores, que escreveram suas obras à luz das perspectivas como um todo. Para se ter uma idéia, os russos sustentaram a teoria na Revolução daquele país. Os franceses, fundamentaram uma nova histórica econômica e social, baseada na tendência dos Annales, de Bloch e Febrve na primeira fase desta escola.

Ao fim e ao cabo, a visão proposta por Marx alargou as fronteiras e fez o conhecimento crescer em seus aspectos totais e abrangeu outras áreas do conhecimento humano, sugerindo, assim, uma visão que fosse global da política, da economia, da sociologia e etc. Falar de Marx não é fácil, mas é preciso. Entendê-lo também não é fácil, mas é necessário.

Ao fim e ao cabo, todos os historiadores se apóiam hoje em dia nas teorias e correntes que acham mais pontuais. Eu ainda prefiro a marxista e suas visões totalizantes e totalizadoras da vida, dos povos, do conhecimento e das evoluções.

( MENESES, Hérick D. M. de, 2017).

   

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