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Práticas amorosas no Século XIX


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Em “História do Amor no Brasil, PRIORE (2015) faz uma excelente análise de como se desenvolveu este tão complexo sentimento, passando pela era colonial, imperial e republicana. Chama­-me mais atenção os seus relatos no oitocentos, ou seja, no século XIX.

O cenário era o mais simples, os sobrados, com ruas de pedras e o amor era de longe. Esta prática de amor tão importante no XIX nos dia hoje não existe mais. O que vemos no XXI é nada mais do que uma grande exacerbação de todas e quaisquer práticas, como, por exemplo, um simples beijo, que evoluiu e chegou à categoria de “beijão”...

Além das igrejas que eram palco de encontros amorosos, os apaixonados aproveitavam as muitas reuniões particulares onde todos se juntavam - já que nesta época não existiam bailes- para dançar, paquerar e namorar. Era tudo muito afoito, mas com um ar de inocência. Mas, quando o quesito é amor, sempre pega fogo...

Eram nas missas, procissões com fogos, que os apaixonados aproveitavam para os encontros amorosos, especialmente aqui no nosso Nordeste. Estas festas eram sempre nas localidades dos engenhos e sobrados. Nas cidades, havia uma maior descrição. As mulheres e os homens do núcleo rural eram mais ousados...

Os mais ricos eram preocupados com a aparência e com a beleza de seus pretendentes. É aquela velha história de se apaixonar pela beleza e não pelo conteúdo. Lá no século XIX isto era muito intenso, mas que, hoje em dia, não é tão diferente. Os casamentos que eram arranjados apenas se maquiaram com uma maquiagem mais forte. Ainda existem aqueles que se casam pelo status e ou pelo poder. Os famosos casamentos arranjados ou por interesse. Quem nunca viu uma cena desta ou não conhece uma história de amor assim? Eram os corpos bem moldados e os rostos afilados o ponto de partida para se começar uma paquera...

E entre quatro paredes? Ainda é foco de investigação, mas a hipótese que mais se acredita é que era na noite de núpcias a prova de fogo para um casal oitocentista. Puxando para o XXI, a questão é bem diferente, tendo em vista que a cada dia mais sabemos de jovens que iniciam sua vida sexual tão cedo e muitas vezes de forma irresponsável. Aí estão os números de tantas doenças sexualmente transmissíveis. Bastante comum também era a prática de amor com seus escravos e mestiços, quando da insatisfação com os seus parceiros. E era do dois lados, mais o masculino, mas as mulheres também não ficavam atrás. Eram comuns os boatos sobre a “dupla moral e as santinhas de pau-oco” (PRIORE, 2015, p. 187)...

A homossexualidade era vista como uma doença. Não tão diferente dos discursos homofóbicos de hoje. Eles não eram mais pecadores, mas pessoas doentes que precisavam de tratamento. Os relatos dão conta que a “amigação” começavam nos colégios e perpassavam todos os cenários da sociedade oitocentista...

Estas reflexões servem para pensar e comparar com os dias atuais para tirarmos nossas conclusões. A história é extensa. O amor é extenso, plural e multifacetado. Não existem santos e santas e nem pecadores e pecadoras. O que existe então? Existe as pessoas que amam e vivem de forma intensa. 

Portanto, vivam, beijem e amem!!!!


(MENESES, Hérick D. M. de, 2017).

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